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Uma Paz Ausente

 

            Todo mundo quer ser feliz. Todo mundo quer ser amado e aceito como é. Todo mundo quer sentir-se, por sua vez, lúcido e forte, e quer amar. Todo mundo quer viver num mundo feliz e em paz. Todo mundo quer ter alimento suficiente para viver. Todo mundo quer se ver livre da dor. Entender o que todos nós queremos não é difícil. O problema é como chegar lá. Que passos é preciso dar, qual é o “plano de jogo” que devemos adotar para sermos felizes num mundo indelevelmente marcado pela velhice, deficiência, doença, dor física, pelos acidentes, pelo abandono e finalmente pela morte. Esta é a pergunta milionária para todos nós, agora, exatamente como foi para Siddharta Gautama, o Buda, há mais ou menos 2.500 anos atrás. Mas a maior parte de nós não mergulha nela tão fundo quanto ele, e portanto não descobre uma resposta tão profundamente satisfatória. Pensamos nela, imaginamos soluções e, vagamente, temos esperanças de estar trabalhando nela da melhor forma possível, à medida que seguimos em frente. Da mesma forma, assumimos vagamente que a ansiedade, a irritação, o ciúme, a culpa, e a inquietação que sentimos fazem parte do “pacote” que vem junto com o nascimento, o qual devemos suportar, evitar ou ignorar o melhor que pudermos.

            A descoberta desconcertante de Buda foi que o nosso “plano de jogo”, longe de se distanciar um pouco da verdade, está completamente errado. Ele não apenas fracassa ao lidar com as dores e contrariedades que inevitavelmente recaem sobre nós mais cedo ou mais tarde, mas também gera uma inestimável quantidade de sofrimento adicional. Através de nossos esforços equivocados para gerar alegria, paz e amor, na verdade estamos criando angústia, ansiedade e animosidade. Ora, essa é uma idéia difícil de engolir.

            Será mesmo verdade que a maioria da população do mundo, durante a maior parte da história humana, tem sido tão obtusa ?

            Será que todos os nossos filósofos, santos ou filantropos, assim como o resto dos homens, mulheres e crianças do planeta, todos nós, enfim, estamos decidida e energicamente, fazendo tudo absolutamente errado ?

            Seria muito embaraçoso para todos nós admitir nossa “estupidez” e concluir que o Buda estava certo ?

            Buda, aos 35 anos, atingiu o Nirvana, um estado profundo de Paz e Tranqüilidade e se libertou de todos os sofrimentos e, através dos seus ensinamentos, procura nos “mostrar” que também podemos viver pacificamente e sem angústias.


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