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FuneraisShuichi Maida (1906-1967)
Deixa que os mortos enterrem seus mortos. (Mateus, 8, 22.) Eu não me interesso por funerais. É como Jesus disse. Os mortos se sepultam a si mesmos. O importante é que eu siga vivendo. Para onde é que o morto foi morrer? Ele foi morrer dentro de mim e depois veio nascer dentro de mim. Eu estou aqui, plenamente vivo. Assim, não existe outra forma de sepultá-lo senão eu levar uma vida digna. É em minha maneira de viver que está o sepultamento. Deixar que o morto se sepulte a si próprio significa que eu estou vivendo. Chorar agarrado a um cadáver é um comportamento digno de mofa. O morto não está mais no cadáver. O cadáver nada mais tem a ver com ele. Chorar agarrado a algo que não tem mais nada a ver é como procurar uma coisa olhando na direção errada. Não posso concordar com isso. Onde está o morto agora? Está dentro de mim. Está dentro daquele que chora agarrado ao cadáver. Vivificar plenamente a si próprio é a verdadeira maneira de alguém sepultar um morto. Ele morreu e agora vive através de mim. Eu agora vivo como se fosse ele. A morte dele significa que agora ele vive em mim. A morte é vida. Assim, o funeral é o rito que mostra que a morte é a vida. Nessa perspectiva, o funeral é um rito auspicioso. O morto se foi e agora segue vivendo aqui, através de mim. Deixe ir aquele que se vai. E deixe vir aquele que vem. É dessa forma que ocorre o meu viver. Deixemos o nascer e o morrer, o ir e o vir ocorrerem naturalmente. Tal é o sentido das palavras de Jesus. Não existe um funeral autêntico fora do fato de eu viver autenticamente. Parece-me que uma grande gargalhada de Jesus está ecoando em meus ouvidos. O fato de eu morrer significa que ressuscitarei dentro dos muitos que seguirão vivendo. Fala-se na ressurreição de Jesus. É porque o morrer consiste no viver. O Buda Sakyamuni prossegue operando no seio dos que vivem. O mesmo ocorre com Jesus.A morte, vista segundo essa perspectiva, revela-se como algo auspicioso. Isso quer dizer: quando eu morrer, deixe o meu funeral por minha própria conta. Ou seja, eu ressuscitarei naqueles que estão vivos e prosseguirei atuando e vivendo neles. Assim, o funeral é um rito de ressurreição. Deixar que aquele que está morto se sepulte a si mesmo significa que ele voltará a viver dentro daqueles que estão vivos. Isso é uma exortação a que sigamos vivendo com coragem e denodo. Creio que nessa frase de Jesus nada mais há do que a constatação de que a morte é a vida. (28/07/1958) (Obras Completas, Vol. II, p. 514.)
Tradução de Rev. Ricardo Mário Gonçalves (Shaku Riman) |
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