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Compaixão
O espírito de renúncia é a mais profunda realidade do coração do ser humano. O ser pode apenas realizar-se verdadeiramente se entregando. No ato de dar está nossa mais verdadeira alegria e libertação porque nos unimos com o infinito. Crescemos nos perdendo e nos unindo. Ganhar uma coisa é por sua própria natureza parcial, é limitado a um desejo particular, mas o dar é incompleto, pertence a nossa completitude, não surge de nenhuma necessidade mas de nossa afinidade com o infinito que é o princípio de unidade e perfeição que temos nas profundezas do nosso coração. Nossa alegria permanente não é conseguir alguma coisa, mas nos darmos aquilo que é maior que nós, ao infinito ideal da perfeição. Todas as nossas posses assumem um peso pela gravitação incessante de nossos desejos egoístas; não podemos libertar-nos facilmente delas. Elas parecem pertencer à nossa própria natureza, prendem-se a nós como uma segunda pele e sangramos quando nos separamos delas. Aquele que está voltado para acumular riquezas é incapaz com seu ego continuamente inflado, de atravessar o portão do mundo espiritual do mundo da perfeita harmonia; ele está preso nas paredes estritas de suas limitadas aquisições. Assim se queremos alcançar a liberdade e a alegria, temos que abarcar a totalidade entregando nosso ser. Porém, quando o ser é entregue, o doador, ainda está aí porque o ato de dar só é possível quando existe aquele que dá e o outro que recebe. Não importa quão longe possamos ir. Se alguém deseja ser um doador absoluto necessita transcender o dualismo de alguém que dá e de outro que recebe. Quando isso é realizado ocorre uma total mudança de posições e aquele que dá é ao mesmo tempo aquele que recebe. Aqui entramos no mundo espiritual, o reino da Fé e da Compaixão. A Fé é a mais elevada culminação da Compaixão. Na Compaixão perda e ganho se harmonizam. Assim, quando uma pessoa tem a virtude da Compaixão, dar torna-se um motivo de alegria para ela, pois ela transcende a noção dualista de um que dá e de outro que recebe. |
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