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TANNISHÔ

            Texto escrito por Yiu-en, discípulo de Shinran algum tempo após a sua morte. O objetivo desse texto é relembrar, através de testemunho do próprio Yiu-en, o verdadeiro significado das palavras de Shinran, condenando os desvios das vertentes e práticas que se seguiram após a sua morte.

            O Tannishô foi considerado um texto secreto até o fim do século XIX, quando começou a ser divulgado entre o grande público. Até essa época só tinham acesso a ele as pessoas que os instrutores da Escola Verdadeira da Terra Pura achavam que já estavam suficientemente amadurecidos na fé e no estudo da Doutrina, para não deturparem o sentido desse texto profundo e paradoxal.

TATHAGATA

            Ver Nyorai.

TERRA DE RETRIBUIÇÃO DE AMIDA

            Outro nome dado à Terra Pura do Buda Amida.           

TERRA PURA

            A Realização Suprema, expressa simbolicamente como uma morte (do ego) seguida por um renascimento (do Eu Supremo) na Terra Pura ou no mundo do Absoluto. O Nirvana, o objetivo supremo da existência, o Despertar para o Real.

            A Terra Pura do Quadrante Ocidental, presidida por Amida, como a terra da retribuição pelos Seus Votos Originais Realizados. De acordo com a Escola da Terra Pura, é interpretada como o reino da luz ilimitada ou Mahaparinirvana e descrita como a grande extinção ou a grande entrada no reino do descanso eterno.

            Em um curso de verão da Universidade Otani, em Kyoto, principal centro de ensino superior da Ordem Otani de Budismo Shin, o Prof. Terakawa, um dos mais abalizados eruditos da mesma citou um texto em que um Professor da Escola Budista Tendai , Prof. Tamura Enchô, apresenta três conceitos distintos de Terra Pura. Eles não se excluem, podem ser vistos como complementares:

                    1.      A Terra Pura que é: o verdadeiro aspecto do Real, que nossos olhos, toldados pela ignorância, não conseguem vislumbrar. O Real Inefável oculto por detrás dos fenômenos impermanentes e passageiros.

                    2.      A Terra Pura que se faz: a Terra Pura tomada como um modelo de um mundo perfeito, que os militantes engajados na ação social e nas atividades beneficentes se esforçam por imitar em sua missão de melhorar, na medida do possível, as condições da existência nesta terra impura de sofrimento.

                    3.      A Terra Pura para onde se vai: a Terra Pura encarada como meta suprema de nossa existência, para além da vida e para além da morte.

THERAVADA

            sânsc. –  Os Patriarcas Anciãos.

            A escola meridional do Budismo é geralmente conhecida com a denominação Theravada. “Thera” significa os anciãos. Esta é a escola dos mais velhos que, historicamente, foi um grupo de monges conservadores que advogavam a estreita lealdade aos preceitos, opondo-se a outro grupo de monges mais liberais que progressistas (cujas idéias formaram o pensamento Mahayana, característica da escola do norte). Estas tendências oposicionistas, na seita do Budismo, tiveram início em tempos remotos, poucos séculos depois da morte de Buda, quando Mahadeva, um monge progressista, insistiu sobre a livre interpretação dos sutras, de acordo com as cinco categorias dos preceitos budistas. Isto provocou a cisão entre Theravada e Mahasamghika, que constitui a origem do posterior Budismo Mahayana.

TIÇARANA – TRÍPLICE REFÚGIO

            Fórmula de adoração instituída pelo próprio Buda e que é recitada pelos budistas de todo o mundo. A sua recitação em sânscrito pode variar em melodia, e quantidade de estrofes, mas a essência é a mesma.

                        Buddham Saranam Gacchami (Eu tomo o Buda como meu refúgio)

                        Dharmam Saranam Gacchami (Eu tomo o Dharma como meu refúgio)

                        Samgham Saranam Gacchami (Eu tomo o Samgha como me refúgio)

TRANSFERÊNCIA DE MÉRITOS

            jap. – Eko.

            Eko significa voltar em direção a; virar alguma coisa de uma pessoa ou coisa para uma outra; transferência (de mérito). Quanto ao mérito, não existe um tal mérito que se torne a posse exclusiva de qualquer um, uma vez que não existe euidade permanente e tudo é produzido por condições causais. O mérito adquirido por um homem deverá ser considerado como lhe tendo sido doado por alguém. O apego ao próprio mérito seria uma prova da ignorância. De acordo com esta verdade, eko é usado no sentido da entrega a outrens dos méritos adquiridos por um Bodhisattva ou um Buda, para a salvação de todos. Existem outros tipos, tais como dirigir o mérito adquirido no sentido de atingir um progresso posterior em bodhi ou Nirvana, dirigir-se deste mundo para o que está além deste mundo, voltar-se da Terra Pura em direção a este mundo, etc. Este conceito de voltar-se em direção a, sendo um princípio cardeal no budismo Mahayana, mostra a razão para que se rompa todo apego ao ego, a este mundo ou até ao Nirvana, e nos leva ao reino do Dharma ou o mundo sem natureza própria. O voltar-se deste mundo para a Terra Pura e retornar para este mundo devem ser considerados como inseparáveis.

TRAYASTRIMÇAS

            Grupo de grandes divindades.

TRÊS CORPOS DE BUDA

            Os Três Corpos de Buda são:

                    1)     Dharmakaya é a essência de fixações e ainda a vacuidade que é fonte de todas elas;

                    2)     Samgogakaya é a natureza de sabedoria correspondente aos cinco venenos e, portanto, a energia vibrante que emana continuamente do Dharmakaya,

                    3)     Nirmanakaya é o corpo de compaixão que surge incessantemente para beneficiar os seres que agem sem liberdade perante os três venenos e que, portanto, não reconhecem sua pureza inerente na forma dos Corpos de Buda.

TRÊS JÓIAS

            As Três Jóias do Budismo são:

                    1)    Buddha;

                    2)     Dharma,

                    3)     Samgha.

            O Buda histórico como professor ou médico insuperável, seus ensinamentos como um remédio que alivia o sofrimento dos seres e a comunidade que coloca em prática esses ensinamentos.

TRÊS REFÚGIOS

             Refúgio nas Três Jóias.

TRÊS VENENOS

            Os Três Venenos são: javali, cobra e galo.

                    1)     Ignorância - O javali é usualmente traduzido como “ignorância”, mas de fato indica uma fixação que é defendida e sustentada pela cobra e pelo galo;

                    2)     Cólera - A cobra é muitas vezes traduzida como “aversão”,”cólera”, mas de forma mais ampla indica uma defesa enérgica dessa fixação,

                    3)     Desejo - O galo é traduzido como “desejo”, mas é um equilibrismo constante, uma atividade incessante de sustentação da fixação na separatividade.

            A natureza pura dos três venenos são os Três Corpos de Buda.

TRIPITAKA

            sânsc. - Os Três Vasos.

            Os três ramos das escrituras budistas (Dharma) constituem aquilo que se chama Tripitaka. São:

                    1)     Sutras - que contêm os ensinamentos passados pelo próprio Buda;

                    2)     Vinayas - que contém o código de disciplina dos monges transmitidos pelo Buda,

                    3)     Abhidharmas - que encerram vários comentários, discussões e ensaios sobre os Sutras e Vinayas feitos pelo sábios de épocas posteriores.

            Mais tarde, vários documentos escritos por grandes instrutores chineses e japoneses foram incluídos nos cânones budistas.


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