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Meu Caminho Até o Budismo Shin

Sidney Duarte Junior

        Convivi  desde criança com pessoas de diferentes religiões e com as mais variadas religiosidades. Meus pais são católicos e freqüentavam o Kardecismo e mesmo a Umbanda.  Aos meus 14 anos fiquei na dúvida qual caminho a seguir pois para mim sabia ser incompatível o Espiritismo e o Cristianismo. Optei pelo Catolicismo. Podia ter tido outra opção, mas uma vez feita a escolha procurei estudar a fé adotada.

Lia livros sobre a vida dos santos, livros doutrinários, li a Bíblia completamente muitas vezes participei da Renovação Carismática Católica. Mas era uma vivência de  fé dogmática. Uma fé digerida por outros e aceita sem discussões. Mas nunca aceitei o fato de que a Igreja, ou uma Igreja fosse a única e exclusiva detentora da Verdade e com poder de discriminar todas as demais. Ainda mais uma Igreja que prega um Deus de Amor e têm um vasto histórico de guerras, massacres de dissidentes, perseguições insanas religiosas, e  preconceitos que perduram até hoje. Um Deus que era apresentado como convinha na oportunidade. Amor. Justiça. Ira.

Com o tempo fui me questionando sobre a autenticidade de minha fé, se era verdadeira ou apenas uma formalidade que eu cumpria perante a sociedade e o meu ego.

Deixei de freqüentar igrejas, não sentia a autenticidade do que era ensinado, dos valores pregados.

Concomitante, a todo esse processo de verificação e questionamentos, continuei convivendo com pessoas de quase todas as denominações religiosas, menos budistas; e desse convívio fui me amadurecendo espiritualmente. Aprendendo a não esperar as coisas prontas e acabadas.

Fui presenteado com os livros dogmáticos de outras religiões, tenho amizade estreita com pastor evangélico. Todo esse meu processo e convívio amadureceu-me a ponto de não precisar freqüentar o templo para saber do que se tratava e não sentia diferença entre a fé que havia largado e a que me era apresentada. Apenas troca de orações. No fundo a mesma mensagem.

O Budismo para mim era uma religião exótica, inacessível. Tão desinformado eu era. Pensava que tinha ou que virar monge, ou ser descendente de japoneses, chineses, coreanos e outras nacionalidades afins para poder praticar o Budismo. Sabia das 4 Nobres Verdades e do Caminho Óctuplo, mas não tinha quem me explicasse. Interessava-me cada vez mais pela cultura asiática. Fiz tratamento com a acupuntura há 12 anos atrás quando era vista apenas como uma medicina alternativa e revi muitos conceitos. Li um livro da editora brasiliense “O QUE É O BUDISMO” de  Antonio Carlos Rocha e que me incentivou a conhecer esse Caminho.

Sou um leitor compulsivo, comecei a estudar sozinho, a adquirir livros após consulta aos sites da net sobre o budismo. Como internauta soube do convite do Templo Honpa Hongwanji ao evento Portas Abertas dirigido pelo Mauricio Ghigonetto. Abriram-se portas para mim, fui recebido calorosamente por todos, agradeço também aos Rev. Mário, e Rev. Wagner. O Mauricio me apresentou a lista de discussão do Budismo Shin no Yahoo e dessa forma fiquei sabendo do curso extensivo de budismo no Templo Higashi Honganji, ministrado pelos Rev. Ricardo Mário Gonçalves e Rev. Fukashi Urabe. Neste Templo igualmente fui atendido com carinho pelo Rev. Imai que me ofereceu os ensinamentos básicos  e me respondeu pacientemente às minhas dúvidas iniciais. O Templo Higashi  fica perto de onde resido e trabalho. Fica no meio do meu itinerário diário e sempre lancei olhares curiosos mas não vislumbrava a possibilidade de vir a freqüentá-lo. É onde  pretendo fazer o kikyôshiki e vir a  ser membro do Sangha.

Curiosa é a vida do homem e os seus passos mais misteriosos. Meu caminho foi tortuoso, um peregrinar sem regresso. Não me considero um iniciante à procura de qualquer caminho exótico. Já ganhei convite formalizado para freqüentar sociedade secreta e esotérica. Não senti afinidade com minha personalidade e com o que busco.

            Já com o Budismo me identifiquei logo que comecei a ler sobre o Dharma. Inovador para meus ouvidos sua proposta de conheça a si mesmo. Viva o Aqui e Agora. Livre-se do apego - mas sem falar que o homem é gerado na iniqüidade. E natural seus ensinamentos. Quero pedir desculpas se omiti algum nome,  todas pessoas que conheci no Budismo Shin me ensinaram de alguma forma, me auxiliaram e me incentivaram pelo seu exemplo e atitudes. Saibam que sou muito grato.


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