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Palavras do Dharma

 

    Segundo meu humilde entendimento, o Amplo Voto difícil de ser concebido é a Grande Nave que nos permite transpor o oceano difícil de ser atravessado; a Luz sem impedimento é o Sol da Sabedoria Salvífica que dissipa as trevas da ignorância.

Shinran, prefácio do Kyogyo-shinsho (P.131)

 

1.         Por serem ignorantes e pouco virtuosos, os seres humanos buscam e se debatem por coisas que não são essenciais.

            Em meio a tanto mal e sofrimento, eles trabalham diligentemente para sua subsistência.

Grande Sutra, parte II (P.54)

 

2.         Quando as pessoas possuem terras, preocupam-se com elas. O mesmo ocorre quando possuem casas. Vivem apegados a animais, à riqueza, a status, ao alimento, a móveis e a empregados.

            Quando não possuem terras, ficam frustrados e as desejam. Quando não possuem casa, ficam infelizes e desejam-nas. Quando não possuem animais, ou não têm riqueza, status, alimento, móveis e empregados, ficam descontentes e ambicionam tê-los. Quando chegam a possuir algumas dessas coisas, outras talvez continuem faltando. Se tiverem essas, não terão aquelas e, assim, desejarão tê-las todas. Mas, mesmo que, por alguma circunstância, venham a possuir tudo isso, o que possuem logo acabará por desaparecer ou será perdido.

Grande Sutra, parte II (P.56)

 

3.         Prisioneiros de desejos e apegos, as pessoas nascem e morrem sós – sozinhos, vêm e vão. Cada um, com seus próprios atos, determina para si uma existência de sofrimento e alegria. Cada um terá de assumir as conseqüências cármicas de seus próprios atos e nisso ninguém poderá substituí-lo.

Grande Sutra, parte II (P.56)

 

4.         As pessoas preocupam-se só com os seus afazeres e tarefas mundanas. Enquanto são sadios poderiam praticar o bem, libertar-se do Samsara e nascer na Terra Pura. Se o fizerem, certamente receberão a vida infinita. Por que não buscam o Caminho? O que se pode esperar deste mundo? Que prazer ou felicidade se pode almejar aqui?

Grande Sutra, parte II (P.56)

 

5.         Por serem tolos e ignorantes, os seres profanos não confiam no Ensinamento de Buda. Sem pensar no futuro, buscam apenas a satisfação de desejos imediatos. Iludidos por desejos e apegos, não respeitam o que é moral, se deixam dominar pela cólera e desejam avidamente a posse de bens materiais. Incapazes de seguir o Caminho, mergulham ainda mais no sofrimento das condições maléficas, permanecendo indefinidamente no Samsara. Isto é lamentável! É uma pena!

Grande Sutra, parte II (P.57)

 

6.         De tudo o que amamos um dia temos de nos separar. Tudo o que prospera um dia decairá. Nada [neste mundo] pode propiciar-nos a verdadeira alegria.

Grande Sutra, parte II (P.58)

 

7.         Os fortes dominam os fracos. Eles se ferem e matam uns aos outros. Os vencedores devoram os vencidos. Não sabendo trilhar no caminho do bem, cometem cruéis atrocidades. Como conseqüência, terão de suportar horríveis infortúnios. Cada um terá de lidar com seu próprio carma. Todos estarão sujeitos a essa Lei.

Grande Sutra, parte II (P.62)

 

8.         Os seres humanos vivem imersos num cotidiano atarefado, absorvidos por muitos encargos, e não percebem que a vida se extingue do dia para a noite, como uma chama exposta ao vento que não sabemos quando irá apagar. Os seres viventes vagam angustiados nas Seis Condições Maléficas, sem encontrar abrigo.

Shan-tao, Sete Patriarcas (P.669)

 

9.         O Patriarca Shan-tao nos ensinou, na parábola dos “Dois Rios de Fogo e Água”, que bombu [prthag-jana] refere-se aos seres viventes que carece da verdadeira sabedoria e é dominado por paixões cegas. Tomado por desejos incontáveis, a ira, o ódio, a inveja e o ciúme brotam nele sem parar. Até o derradeiro momento de sua vida, essas paixões não cessam, não desaparecem, nem têm fim.

Shinran (P.693)

 

10.       O Ensinamento Verdadeiro é o Sutra da Vida Imensurável – O Grande Sutra. O significado central deste Sutra é que Amida, ao criar os Votos Supremos, difundiu amplamente o Tesouro do Dharma para todos os seres vivos. Pleno de compaixão pelos seres profanos, escolheu e lhes concedeu o Nome Sagrado que é a essência das virtudes. O Buda Shakyamuni veio a este mundo para unicamente expor os Ensinamentos. Quis, em especial, transmitir a todos os seres o benefício verdadeiro que é recebido através do Nome Sagrado. Assim, expor o Voto Original do Tathagata é o propósito central deste Sutra e o Nome do Buda é a sua essência.

Shinran, Kyogyo-Shinsho (P.135)

 

11.       Ainda que um grande fogo incendeie o Universo de bilhões de mundos, devemos atravessá-lo para procurar ouvir este ensinamento, alegrando-se na Verdadeira Fé, mantendo-o e praticando-o tal como está explicado. Isso porque, embora muitos Bodhisattvas desejem ouvir este ensinamento, ainda assim é muito raro que o consigam. Caso alguém venha a ouvi-lo e segui-lo, jamais retornará a este mundo até atingir o Estado da Suprema Iluminação.

Grande Sutra, parte II (P.81)

 

12.       Difícil é nascer na condição humana. Difícil é nascer na era em que um Buda está vivo no mundo. Ainda mais difícil é receber a sabedoria da Verdadeira Fé. Aqueles que ouvirem o Dharma devem buscar o Caminho. Aqueles que souberem manter em mente o Ensinamento e, continuando a ouvi-lo reverenciarem o Buda e se alegrarem na Verdadeira Fé, estes serão meus bons amigos.

Grande Sutra, parte II (P.47)

 

13.       Precisamos ouvir o Dharma, mesmo que seja necessário deixar em segundo plano os assuntos do dia-a-dia. Você imagina ouvir o Dharma apenas quando tiver um tempo livre? Essa é uma atitude tola. Segundo o Dharma, não há o amanhã.

Rennyo (P.155)

 

14.       Um antigo provérbio diz: “O mais fluido, a água, pode furar o mais rijo, a pedra. Se permanecermos fiéis ao anseio primordial do coração, não há como fracassarmos no Caminho da Iluminação”. Mesmo alguém incrédulo, se procurar ouvir o Dharma diligentemente, sem dúvida receberá, graças à ação da Compaixão do Tathagata, a Verdadeira Fé. Ao Dharma, basta ouvi-lo de coração.

Rennyo (P.193)

 

15.       Certa vez um seguidor do Dharma disse: “O Dharma deve ser ouvido com dedicação quando se é jovem”. Quando envelhecemos as pernas fraquejam e somo tomados de muita sonolência. Por isso precisamos ouvir [o Dharma] quando somos jovens.

Rennyo (P.63)

 

16.       O “ouvir” ensinado no Sutra da Vida Imensurável [Grande Sutra] quer dizer que os seres viventes ouvem o significado do surgimento do Voto do Buda e sua realização [isto é, a ação que efetiva a salvação], livre de dúvidas. Isso é o que significa “ouvir”.

Shinran

 

17.       A expressão “ouvir o Nome” que aparece no Grande Sutra quer dizer ouvir o significado do Namu Amida Butsu prometido no Voto Original. “Ouvir” significa ouvir o Voto Original livre de dúvida. O significado da palavra “ouvir” em si já expressa a Verdadeira Fé.

Shinran

 

18.       Se, quando alcançar o Estado de Buda, os seres viventes nas terras das dez direções, recebendo a Verdadeira Fé com coração sincero, desejando ir-nascer na Terra Pura, recitarem meu Nome, mesmo que apenas por dez vezes, e lá não nasçam, que eu não alcance a suprema iluminação. Excluídos estão aqueles que tenham cometido as cinco graves ofensas e caluniarem o Dharma Correto.

Grande Sutra, 18º Voto

 

19.       Todos os seres que ao ouvir o Nome [do Buda Amida] receberem, no Momento Itinem, com coração sincero, a alegria da Verdadeira Fé que nos é transmitida [pelo Tathagata], e ansiarem ir-nascer na Terra Pura, de imediato terão seu ir-nascer assegurado e não mais retornarão ao mundo da ilusão. Aqueles que cometerem os cinco graves males e caluniarem o Dharma Correto estão se aprisionando.

Grande Sutra, Realização do 18º Voto

 

20.       A Intenção da expressão “Só serão excluídos os que cometerem as cinco faltas capitais e vilipendiarem o Dharma Correto”, contida no Décimo Oitavo Voto é nos advertir quanto aos que cometerem as cinco faltas capitais e para que saibamos quão pesado é o mal de se caluniar o Dharma Correto. Com isso, o que se pretendia mostrar era a gravidade destes dois grandes erros.

 

21.       Ah! Quão difícil é encontrar estas fortes condições do Poder do Amplo Voto, ainda que entre inúmeros nascimentos! Quão rara é a obtenção da verdadeira e pura fé, ainda que levando milhares e milhões de anos! Entretanto, se por acaso vos for concedido obter esta prática e esta fé, deveis vos alegrar profundamente com o remoto condicionamento cármico que tornou isso possível. Caso permanecerdes ainda presos nas redes da dúvida, deveis novamente transmigrar por outros tantos inumeráveis anos. Em verdade, estas são palavras autênticas que vos resgatam para a salvação e jamais vos abandonam. Trata-se da correta e insuperável doutrina que transcende o mundo! Deveis ouvir e refletir, não vos deixeis vacilar com dúvidas!

 

22.       Quanto a mim, Shinran, nada mais faço a não ser crer nas palavras do Bom Mestre, que ensinou que devemos apenas recitar o Nembutsu para sermos salvos por Amida. Eu absolutamente não sei se o Nembutsu é realmente a semente do ir-nascer na Terra Pura ou se é uma prática que leva à queda dos infernos. Entretanto, ainda que eu tenha sido enganado pelo Venerável Honen e venha a cair nos infernos por causa da recitação do Nembutsu, eu nada terei de que me arrepender.. Explicarei por que. Se eu fosse capaz de me realizar como Buda através da aplicação a outras práticas e acabasse caindo nos infernos por recitar o Nembutsu, poderia me arrepender por ter me deixado enganar. Entretanto, sou incapaz de realizar qualquer prática, já estou predestinado aos infernos desde o início.

 

23.       “Os próprios bons conseguem ir-nascer na Terra Pura; com muito maior razão, pois os maus o conseguirão”. Entretanto, as pessoas costumam dizer que se os maus conseguem ir-nascer na Terra Pura, com muito maior razão os bons o conseguirão. Esta última afirmativa parece à primeira vista razoável, mas ela vai contra o Voto Original de Amida.

            Isto porque, aqueles que acreditam na salvação conseguida através de práticas virtuosas feitas com seu próprio esforço não confiam incondicionalmente no Outro Poder e assim não se harmonizam com o Voto Original de Amida.

            Entretanto, se eles abandonarem sua confiança no esforço próprio para confiarem no Outro Poder, conseguirão o ir-nascer na Terra da Recompensa Real.

            A Verdadeira intenção de Amida ao enunciar seu Voto compadecido de nós, seres carregados de paixões mundanas e incapazes de se libertarem dos nascimentos e das mortes através de quaisquer práticas, é oferecer a Realização Búdica aos maus. Assim, o mau que confiar no Outro Poder é o legítimo merecedor do ir-nascer na Terra Pura.

            Por isso, o Venerável Mestre disse:

            “Se os bons conseguem o ir-nascer, com muito maior razão os maus o conseguirão”.

 

24.       Receber a verdadeira Fé á algo fácil. A Verdadeira Fé desiste de todo pensamento errôneo tal como a convicção no auto-poder empenhado às várias práticas secundárias. Ela é contra profundamente, livre de qualquer dúvida, com o coração uno, no Voto Original do Tathagata.

 

25.       “Fé Profunda” significa “Fé que crê com profundidade”. Há dois aspectos na Fé Profunda. O primeiro [ser profano] consiste em crer profundamente que somos pessoas ignorantes, subjugadas pelos nossos males cármicos, que vagam nos ciclos de nascimento e mortes. Desde um passado imemorial que, mergulhados em sofrimentos, não temos possibilidades de nos libertar [do Samsara]. O segundo [Dharma] consiste em confiar profundamente, com determinação, que os Quarenta e Oito Votos do Buda Amida asseguram o nascimento, envolvendo todos os seres, livrando-os de qualquer dúvida ou preocupação e levando-os a confiar no Poder do Voto.


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