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OHIGAN

            Koreshige Takeuchi

 

            O Higan transformou-se num evento popular, no qual todos realizam visitas ao túmulos de seus antepassados. No entanto, originalmente a palavra significa “outra margem” (hi no  kishi), remetendo-nos  ao “mundo búdico” (hotoke no sekai) ou “terra pura” (jôdo).

            Em oposição a Higan, há o Shigan, que quer dizer “esta margem” (kochira no kishi). Esta por sua vez nos remete ao mundo profano onde vivemos. Ainda, a palavra Higan foi utilizada primeiramente como abreviatura de tôhigan, que quer dizer “atravessar para a outra margem”.

            O festival do Higan é realizado apenas no Japão. No período do Imperador Shômu (cerca de 741 d.C.), já havia em diferentes regiões do país muitos templos, construídos com subsídios reais. Escolhidos os melhores períodos da primavera e do outono, esses templos localizados em diferentes províncias tornavam-se centros locais desse festival que durava uma semana. Ao longo de todo o país, realizavam-se cerimônias de culto aos antepassados, ouvia-se o ensinamento e praticava-se o Dharma.

            Assim, mesmo após 1200 anos, o sentido de higan não é “visitar cemitérios”, mas “chegar à outra margem”. Ou seja, passar dessa nossa margem de trevas para a margem de luz, pois esse é o caminho do Budismo. Mas como passar desse mundo de ilusões, que sequer se reconhece como tal, para o mundo da verdade? É aí que está o problema.

 

Tradução de Renato Landim de Souza, Orion Klautau Neto e Masayoshi Takahashi


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