Compaixão
Rev. Ricardo Mário Gonçalves (Shaku
Riman)
Tentarei
esclarecer sobre a Compaixão à luz do Cap. IV do Tannishô:
O
Budismo Shin, como outras escolas budistas, tem por objetivo último
o auto conhecimento. Entretanto, ao contrário de outras escolas que
parecem passar muito rapidamente pelos aspectos negativos para ir
direto à meta suprema da Luz do Nirvana, o Budismo Shin insiste
muito na tomada de consciência de nossas limitações, de nossa
finitude, de nossa ignorância, de nossa escravidão em relação às
paixões, etc.
Quando
os hinos do Mestre Shinran celebram a Luz da Sabedoria que dissolve
as trevas, eles não
querem dizer que essa luz está nos trazendo a Sabedoria, mas sim
que ela nos faz tomar consciência de nossa ignorância e nossas
limitações. Tudo em nós, compaixão inclusive, é limitado por
nossa ignorância e nosso egoísmo.
Temos
compaixão dos que nos estão próximos, mas nos mantemos
indiferentes diante do sofrimento dos que estão distantes de nós.
Quem pode confessar sinceramente que tem compaixão de quem lhe fez
o mal? Em muitos casos, nossa compaixão limitada mais atrapalha do
que ajuda. Só o Buda, dotado de Sabedoria Infinita, tem Compaixão
Infinita, Perfeita e ausente de discriminação. O que não nos
impede, entretanto, de colocar nossa compaixão limitada a serviço
dos seres sofredores. O que devemos ter é plena consciência das
limitações da mesma. Também não podemos nos vangloriar de
mostrarmos compaixão, isso é outra forma sutil de egoísmo.Tal é
o que consigo dizer sobre o tema neste momento.
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