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Sobre a Tonsura Simbólica
Durante a Cerimônia de Iniciação, o iniciando tem a sua cabeça simbolicamente raspada. É um gesto que nos remete à própria história de Sidarta Gautama, o Buda Histórico, que tendo nascido como príncipe e vivido no palácio real até os 29 anos de idade, renunciou à vida mundana, para buscar uma via de autoconhecimento e iluminação. Ao deixar o palácio e renunciar a tudo quanto fosse ligado à vida principesca, ele teve como primeira atitude, cortar seus longos cabelos. Para entendermos a simbologia desse ato, precisamos nos lembrar que na Índia, no tempo de Gautama, o cabelo era um fator que indicava a “casta”, ou seja, a classe social a que uma pessoa pertencia. Essa sociedade dividida em castas era um sistema de divisão social implantada na Índia pelos invasores arianos, descendentes dos antigos povos nômades indo-europeus, há milhares de anos atrás. Essa divisão da sociedade em castas estabelecia que pelo nascimento uma pessoa pertencia a uma classe social até o fim de sua vida, não havendo a possibilidade de mudança. Esse sistema tem sua origem na crença estabelecida de que os homens teriam se originado emanando-se das várias partes do corpo de Brahma, o demiurgo hindu. Da cabeça do deus Brahma teriam surgido os sacerdotes (brahmanes); de seu tronco, os nobres e guerreiros (kshátryas); de suas pernas os trabalhadores (vaishyas); e de seus pés, os servos (shudras). Há ainda uma outra sub-casta que seria a dos parias ou intocáveis, que eram considerados como pessoas sem casta e impuros, sendo a estes delegados os serviços mais sujos e aviltantes. Sidarta Gautama, que viria a ser tornar o Buda, ao cortar os cabelos, demonstra com essa atitude que não mais pertence a nenhuma casta e dessa forma se desapega de qualquer título de nobreza e de discriminação entre as pessoas. Todos os discípulos que se juntaram a ele, após a sua Iluminação, para dele receberem os ensinamentos do Dharma, ao tomarem refúgio nas Três Jóias do Budismo e pronunciarem os seus votos monásticos, também raspavam as suas cabeças, repetindo o gesto do mestre Gautama. Ainda hoje, durante a cerimônia de Ordenação Monástica, os monges raspam as suas cabeças, mas no caso da iniciação leiga (Kikyôshiki) a tonsura é apenas simbólica, quando o monge superior passa uma navalha sobre a cabeça do neófito. Podemos lembrar ainda, que em muitas escolas iniciáticas o ato de tonsura representa também o novo renascimento, visto que em geral os bebezinhos nascem carecas, portanto devemos tomar essa tonsura simbólica como símbolo de nossa nascimento como verdadeiros “filhos” de Buda para dele recebermos as instruções e ensinamentos que nos conduzirão pelo caminho da suprema Iluminação. |
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