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Os Três Pilares do Budismo

Reva. Yvonete Silva Gonçalves (Shakuni Joko)

 

Muitos são os que nos procuram pensando que o Budismo seja uma tendinha de milagres para fazê-los melhorar de condições financeiras, curar suas doenças físicas, etc. Aqueles que procuram uma religião unicamente com esses objetivos deveriam se dirigir a outros lugares, porque o Budismo não é nada disso.

O Budismo não faz milagres, não cura ninguém, nem melhora a vida de ninguém. O Budismo não dá nada. Muito pelo contrário, ele tira. Ele despoja. Ele destrói.

O Budismo tira de nossos olhos os véus que nos impedem de ver a realidade como ela é. Ele despoja o homem, das ilusões que lhe são mais caras, nascidas de seu egoísmo e de seus sentimentos e instintos descontrolados. Ele destrói todos os pontos de apoio externos e ensina o homem a caminhar com suas próprias pernas, sem recorrer a deuses, santos ou milagreiros.

O Budismo é um caminho de libertação através do conhecimento de si mesmo. Ele nos ensina a nos libertarmos das angústias deste mundo impermanente, não fugindo dele, mas sim o dominando com as armas do desapego, da compaixão e da sabedoria.

O Budismo é um caminho prático de vida que repousa sobre três pilares: a Ética, a Contemplação e a Sabedoria.

A Ética é o primeiro passo para a libertação. Através da abstenção da violência em todas as suas formas, do roubo, da mentira e de todos os tipos de desregramento, o homem se prepara para obter a paz interior necessária para o conhecimento de si próprio. Através da prática do desapego e da compaixão ele enfraquece os laços do egoísmo que mantêm a mente humana aprisionada às mesquinharias grosseiras e insignificantes deste mundo.

Entretanto, o Budismo não é apenas um sistema de ética. A ética é apenas uma preparação indispensável para um caminho místico de realização espiritual que tem na Meditação e na Contemplação duas condições absolutamente indispensáveis. Sem Meditação e Contemplação não há Budismo. Os mestres budistas beberam na fonte da antiqüíssima tradição indiana do Yoga e desenvolveram inúmeros sistemas práticos de meditação e contemplação que hoje em dia podem ser encontrados nos diferentes ramos do Budismo. Esse é o aspecto do Budismo que mais atrai e fascina o Ocidente.

Os próprios cristãos procuram hoje adotar as práticas contemplativas budistas, encarando-as como caminho para Deus. Entretanto, para o budista, elas são vias libertadoras de toda espécie de apego, inclusive o apego aos deuses.

A Sabedoria Libertadora ou Gnose, designada pela palavra Prajna nos textos budistas indianos, é o corolário de toda vida regida pela prática budista.

Ela é a conseqüência natural da prática da Ética e da Contemplação, e seu desenvolvimento pode também ser auxiliado pelo estudo e pela reflexão.

Entretanto, cumpre lembrar que a Gnose não tem nada a ver com o conhecimento intelectual de quem estuda Matemática ou Sociologia, embora o conhecimento intelectual também possa ajudar o despertar da Gnose. A Gnose Búdica é uma forma de conhecimento total, abrangente, caracterizado pela anulação da dualidade entre o sujeito que conhece e o objeto que é conhecido. É o Conhecimento Libertador, do Real que se esconde atrás de todos os pares de opostos, como nascimento e morte, prazer e dor, bem e mal.


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