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História do Budismo 

 

Butsuren – Abril/2003  

 

Introdução

            A palavra Buda é costumeiramente traduzida como: Sábio, Desperto, ou ainda Iluminado. O Buda pode ser entendido como um ser que atingiu um grau muito elevado de consciência, uma perfeição plena das condições de vida.

            Assim sendo, a palavra Buda mostra uma condição, um nível de consciência ou seja, não é um nome próprio. O Buda mais conhecido (Buda Sakyamuni) é sem dúvida alguma, o fundador do Budismo, Siddharta Gautama, que apesar de sua biografia apresentar algumas características mitológicas, reforçando seu caráter divino, sem dúvida alguma o mesmo também é um personagem histórico.

            A produção literária sobre o Budismo é muito vasta, onde a língua utilizada nas obras ou Sutras, pode ser o páli, o chinês, o japonês, o sânscrito ou ainda o tibetano. É sobre este personagem histórico que tentaremos trabalhar.  

 

Localização no tempo e no espaço

            O Buda veio provavelmente ao mundo entre os anos de 624 a 448 a.C. (a data mais utilizada é 560 a.C.) com nome de Siddharta Gautama, e teria sido filho do rei Shuddhodana e sua esposa, a rainha Maya da tribo (clã) dos Sakya. A tribo estava estabelecida em Kapilavatsu, na região norte da Índia.  

 

O nascimento

            Durante vários anos o casal não teve filhos. Numa noite, a Rainha teve um sonho estranho, no qual viu um elefante branco entrar em seu ventre, através da axila direita. Passados 9 meses de gestação, a Rainha pretendia voltar à casa paterna, para dar à luz. No meio do caminho, no Jardim das Flores de Lumbini, na residência de repouso do Rei Shuddhodana acabou por dar à luz. Era um dia típico de primavera e a Rainha apreciava a beleza da natureza enquanto descansava. Ao movimentar-se para recolher um ramo, acabou por dar à luz ao Príncipe, sem mácula alguma, cheio de lembranças de vidas anteriores. Neste momento caía do céu uma chuva de flores juntamente com néctares.

            Surpreendendo a todos, ele caminha 7 passos, aponta o céu com a mão direita e para a terra com a mão esquerda e diz: “Tanto no céu com na terra sou um ser digno”.

Os budistas, dos países no norte da Ásia, como é o caso dos japoneses adotam o dia 8 de abril como a data do nascimento daquele que seria o Buda Sakyamuni. Já os budistas do sudoeste da Ásia celebram conjuntamente o nascimento, a iluminação e a morte do Buda Histórico no dia da lua cheia de Vesaka (lua cheia do mês de maio). A nossa comunidade, comemora anualmente o nascimento do Buda no mês de abril, realizando no bairro da Liberdade, a chamada Festa das Flores.

            Um ermitão, que vivia nas montanhas, vendo um brilho ao redor do castelo e julgando isso um bom presságio, desceu até o palácio, quando lhe foi apresentada a criança, disse: “Este Príncipe, se permanecer no palácio, após a juventude se tornará um grande rei e governará o mundo todo. Porém, se abandonar a vida palaciana e abraçar a vida religiosa, se tornará um Buda, o Salvador do Mundo”.

            A princípio, o pai estava contente com esta profecia, contudo, com o passar do tempo, começou a se preocupar com a possibilidade de seu único filho vir a deixar o palácio e tornar-se um monge errante.

            Passados alguns dias sua mãe faleceu, o que fez com que o Príncipe fosse criado pela sua tia, a irmão mais nova de sua mãe.  

 

A juventude

            O projeto do Rei era transformar Siddharta num grande governante e procurou criá-lo afastando de qualquer coisa que pudesse desenvolver nele um interesse filosófico mais aprofundado.

            Aos sete anos de idade, o Príncipe começou os estudos em letras e artes militares, juntamente com outros jovens nobres. Seu aproveitamento era sempre excepcional tanto nas habilidades com nas ciências e seus instrutores logo reconheciam que o “discípulo” sabia muito mais que imaginavam.

            Sua personalidade era inquieta e constantemente vivia se questionando sobre a sua própria existência, sobre a juventude, a velhice, a morte, etc.. A formação de Siddharta era envolvida por uma grande preocupação do Rei em proteger o seu filho amado, assim mandou construir palácios com materiais diferentes, ou seja, com estrutura e ambientes que estivessem de acordo com a estação (quente, chuvoso, frio) enfim, a juventude do Príncipe foi marcada por muitos momentos felizes e saudáveis, muito provavelmente todo esse esforço de seu pai nesse sentido, pode ser entendido como uma conseqüência das palavras do velho ermitão.

 

O casamento

            Com não poderia deixar de ser, quando Siddharta atingiu certa maturidade (16 anos) seu pai providenciou-lhe uma esposa, a Princesa Yashodhara, com o qual teve um filho.  

 

A descoberta

            O Príncipe, que viveu durante muitos anos protegido pelos muros de seus palácios, certo dia resolveu tentar conhecer a realidade fora de seus domínios e, apesar dos esforços de seu pai em manipular a realidade, acabou tendo uma experiência que iria modificar muito sua vida.

            Ao sair pelo primeiro portal ficou impressionado com a figura de um velho com o corpo devastado pela idade avançada. Em seguida, sua reação não foi diferente ao deparar-se com um moribundo doente que for atacado pela peste negra e finalmente, ao chegar às margens do rio, presenciou os rituais de um funeral. Sua mente não conseguia desviar-se das perguntas, ou seja, o simples fato de nascermos nos levaria sempre a passar por tais sofrimentos?

            O encontro com um religioso asceta e mendigo, de olhar sereno, fez o Príncipe refletir sobre as aflições da humanidade, pois apesar de suas condições precárias de vida, apresentava uma tranqüilidade perante os rigores da vida material.

            Na prática, esse encontro, significou o início de uma transformação psicológica e espiritual e Siddharta abandonou sua posição de Príncipe e partiu para uma fase de sua vida marcada pelo ascetismo.

            Siddharta contava nessa época com 29 anos.

   

A Iluminação

            Nos 6 anos que se seguiram, Siddharta viveu na floresta à procura do conhecimento verdadeiro que pudesse sanar suas aflições. Visitou diversos ascetas e sábios, aprendeu as técnicas mais severas de penitência, bem como as de meditação e pesquisou as crenças mais complexas. Passado esse período, percebendo a limitação das técnicas e posturas que adotava, entendeu que era necessário seguir por uma vida disciplinada, mas o suficiente para não ser dominada por preocupações menores, com plena consciência e ligada ao convívio de outros seres. Praticando a meditação sob uma árvore, em Budagaya, Siddharta conquistou a visão correta de todas as coisas, obteve a iluminação, atingiu a condição de Buda.  

 

O Dharma

            Os anos seguintes foram marcados pela divulgação do Dharma, ou discurso sobre a verdade, realizada com base nas peregrinações por diversas regiões da Índia, onde os discípulos aumentavam gradativamente.

            Siddharta Gautama morreu aos 80 anos.  

 

A expansão do Budismo

            Os ensinamentos do Buda se espalharam por todo o continente asiático. Logo foram surgindo diversas escolas, ou seja, grupos de budistas que dão diferentes interpretações aos ensinamentos do Buda e que por sua vez também acabaram por sofre influências de outros costumes de várias outras regiões, além da Índia. Neste sentido, podemos dividir o Budismo em vários grupos distintos: o Hinayana (Pequeno Veículo), o Mahayana (Grande Veículo), o Budismo Tântrico (japonês e tibetano), etc., que de acordo com sua “metodologia” obtiveram resultados (aceitação) em diferentes regiões. Sem dúvida alguma os ensinamentos budistas acabaram por influenciar fortemente o processo de formação e desenvolvimento de diversas civilizações asiáticas e atualmente todo o planeta.

 

O Budismo no Brasil

            Os primeiros monges budistas vieram com os primeiros imigrantes japoneses no início do século XX, neste sentido a influência do Budismo Japonês na formação das comunidades budistas brasileiras é muito forte. Inicialmente, essas comunidades “visavam atender às necessidades dos japoneses que estavam num distante país”, mas aos poucos os ensinamentos de Buda foram conquistando mais e mais brasileiros.

            É evidente que, ao avaliarmos um pouco da história do Budismo no planeta, perceberemos que muito provavelmente o Budismo também poderá ser útil no processo do desenvolvimento histórico da sociedade brasileira, e é claro, sempre respeitando as peculiaridades do país.


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